Edema macular: o que fazer quando o tratamento falha?

O que fazer quando o tratamento do edema macular não funciona? Novas opções e orientações detalhadas
Entendendo o edema macular diabético
O edema macular diabético é uma das principais causas de perda de visão em pessoas com diabetes. Ele ocorre quando há acúmulo de líquido na mácula, a região central da retina responsável pela visão de detalhes, devido ao vazamento dos vasos sanguíneos afetados pela doença. Esse inchaço prejudica a nitidez da visão, tornando tarefas simples, como ler ou reconhecer rostos, muito mais difíceis.
Por que o tratamento do edema macular é tão importante?
O tratamento precoce do edema macular é fundamental para evitar danos permanentes à visão. Quanto antes o problema for diagnosticado e tratado, maiores são as chances de preservar ou até recuperar a visão. Por isso, pacientes diabéticos devem realizar consultas oftalmológicas regulares, mesmo que não apresentem sintomas visuais evidentes.
Principais tratamentos: antiangiogênicos intravítreos
O tratamento mais utilizado atualmente para o edema macular diabético são as injeções intravítreas de antiangiogênicos. Esses medicamentos são aplicados diretamente no interior do olho, geralmente na parte branca (esclera), por meio de uma agulha muito fina. O objetivo é bloquear o crescimento anormal de vasos sanguíneos e reduzir o vazamento de líquido, controlando o edema e melhorando a visão.
Os antiangiogênicos mais tradicionais são o Lucentis (ranibizumabe) e o Eylia (aflibercepte). Ambos apresentam ótimos resultados na maioria dos pacientes, proporcionando melhora significativa da visão e controle do edema.
Quando o tratamento tradicional não funciona: o que pode acontecer?
Apesar da alta eficácia dos antiangiogênicos, há casos em que o paciente não responde adequadamente ao tratamento, mesmo após várias aplicações. Isso pode ocorrer por diversos motivos, como características individuais do organismo, estágio avançado da doença ou resistência ao medicamento. Em alguns casos, o paciente até apresenta melhora inicial, mas depois para de responder às aplicações.
Nessas situações, é natural sentir preocupação e insegurança, mas é importante saber que existem alternativas e novas opções que podem ser consideradas.
Novas medicações liberadas no Brasil: Vabysmo e Eylia HD
Recentemente, duas novas medicações foram liberadas no Brasil para o tratamento do edema macular diabético: o Vabysmo (faricimabe) e o Eylia HD (aflibercepte em dose alta). Essas opções de última geração foram desenvolvidas para oferecer maior eficácia e, em muitos casos, beneficiar pacientes que não responderam bem aos tratamentos tradicionais.
Vabysmo: Atua em dois mecanismos diferentes, bloqueando fatores que causam o vazamento dos vasos e a inflamação, o que pode ser vantajoso para quem não respondeu ao Lucentis ou ao Eylea tradicional.
Eylia HD: É uma versão com dose maior do Eylea, permitindo ação mais prolongada e, em alguns casos, resposta em pacientes resistentes ao tratamento convencional.
Muitos pacientes que não apresentaram melhora significativa com os medicamentos antigos passaram a responder bem a essas novas opções, inclusive com recuperação surpreendente da visão em alguns casos.
Vantagens das novas medicações: intervalos mais longos entre as aplicações
Além de oferecerem uma chance de resposta para quem não teve sucesso com os tratamentos anteriores, o Vabysmo e o Eylia HD têm outra vantagem importante: permitem espaçar mais as aplicações. Ou seja, em vez de injeções mensais, alguns pacientes podem passar a receber as medicações a cada dois, três ou até quatro meses, dependendo da resposta individual.
Isso representa uma grande melhoria na qualidade de vida, reduzindo o desconforto das aplicações frequentes, o risco de complicações e a necessidade de deslocamentos constantes ao consultório.
E se as novas medicações também não funcionarem?
Infelizmente, há casos em que mesmo as medicações de última geração não trazem o resultado esperado. Nesses cenários, existe ainda uma alternativa importante: o uso do Ozurdex, um implante intravítreo de dexametasona (um tipo de corticoide).
O Ozurdex é um pequeno implante que é inserido dentro do olho através de uma injeção, liberando o medicamento gradualmente por cerca de quatro meses. Ele atua reduzindo a inflamação e o inchaço na mácula, podendo oferecer melhora significativa mesmo em casos resistentes aos antiangiogênicos.
Ozurdex: quando considerar o implante de corticoide?
O Ozurdex pode ser utilizado como tratamento inicial em alguns casos, mas normalmente é reservado para situações em que os antiangiogênicos não funcionaram. Isso porque o corticoide pode causar efeitos colaterais como aumento da pressão intraocular (glaucoma) e formação de catarata, especialmente em tratamentos repetidos.
Por isso, a decisão de utilizar o Ozurdex deve ser tomada em conjunto com o oftalmologista, avaliando os riscos e benefícios para cada paciente.
Como é feita a aplicação das injeções intravítreas?
A aplicação das injeções intravítreas, seja de antiangiogênicos ou do implante de corticoide, é realizada em ambiente controlado, geralmente no próprio consultório ou centro cirúrgico. O procedimento é rápido, dura poucos minutos e é feito com anestesia local (colírio anestésico), minimizando o desconforto.
Após a aplicação, o paciente pode sentir leve ardência ou sensação de corpo estranho, mas normalmente esses sintomas desaparecem em poucas horas. É importante seguir as orientações do médico quanto ao uso de colírios e cuidados pós-procedimento.
Quando procurar o oftalmologista?
Pacientes diabéticos devem consultar o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano, mesmo que não apresentem sintomas visuais. Caso perceba qualquer alteração na visão, como embaçamento, manchas ou dificuldade para enxergar detalhes, procure o médico imediatamente.
O acompanhamento regular é fundamental para detectar precocemente o edema macular e iniciar o tratamento na fase inicial, aumentando as chances de sucesso.
Dicas práticas para pacientes diabéticos
Mantenha o controle rigoroso da glicemia, pois altos níveis de açúcar no sangue aumentam o risco de complicações oculares.
Realize exames oftalmológicos periódicos, mesmo sem sintomas.
Comunique ao seu médico qualquer alteração visual imediatamente.
Não interrompa o tratamento sem orientação médica, mesmo que não perceba melhora imediata.
Converse abertamente com seu oftalmologista sobre as opções de tratamento disponíveis.
O papel do paciente no sucesso do tratamento
O sucesso do tratamento do edema macular depende não apenas da escolha do medicamento, mas também do comprometimento do paciente com o acompanhamento e as orientações médicas. Comparecer às consultas, seguir o cronograma das aplicações e manter o controle do diabetes são atitudes essenciais para preservar a visão.
Lembre-se: cada caso é único, e o tratamento pode precisar ser ajustado ao longo do tempo, conforme a resposta do organismo.
Esperança e avanços no tratamento do edema macular
A oftalmologia tem avançado rapidamente, trazendo novas opções e esperança para pacientes com edema macular diabético. Se o tratamento inicial não funcionou, não desanime. Converse com seu médico sobre as alternativas, como o Vabysmo, Eylea HD e Ozurdex, que podem proporcionar resultados positivos mesmo em casos difíceis.
A informação é uma aliada poderosa. Quanto mais você entende sobre sua condição e as opções disponíveis, mais preparado estará para tomar decisões junto ao seu oftalmologista.
Conclusão: não perca as esperanças e busque orientação especializada
Se você é diabético e está enfrentando dificuldades com o tratamento do edema macular, saiba que existem alternativas modernas e eficazes. O diálogo aberto com o oftalmologista é fundamental para encontrar a melhor estratégia para o seu caso. Não hesite em buscar uma segunda opinião ou marcar uma consulta especializada para avaliar as opções mais adequadas ao seu perfil.
A visão é um dos sentidos mais preciosos. Com acompanhamento adequado e acesso às novas tecnologias, é possível preservar a qualidade de vida e a independência, mesmo diante dos desafios do diabetes.
Autor: Dr. Mário César Bulla
Cremers 28.120
Médico Oftalmologista - Retinólogo
RQE 18.706