Como escolher a lente intraocular correta para catarata?

Qual lente intraocular escolher na cirurgia de catarata?
Tudo o que você precisa saber para não se arrepender depois
Você vai operar catarata e está em dúvida sobre qual lente intraocular escolher? Essa é, sem exagero, uma das decisões mais importantes de toda a cirurgia. Diferente do que muitas pessoas imaginam, a escolha da lente não é algo simples, nem facilmente reversível, e pode impactar diretamente sua visão por muitos anos.
Neste artigo, vou explicar de forma clara, honesta e completa quais são os tipos de lentes intraoculares, como elas funcionam, para quem cada uma é indicada e quais cuidados precisam ser tomados antes da decisão final.
O que é catarata e por que a lente intraocular é necessária?
Entendendo o cristalino
Dentro do nosso olho existe uma lente natural chamada cristalino. Quando jovem, ela é transparente e ajuda a focar a visão. Com o passar dos anos — ou por condições como diabetes, inflamações (uveítes), traumas ou uso prolongado de certos medicamentos — esse cristalino pode ficar opaco. É isso que chamamos de catarata.
Quando a catarata atrapalha a visão, o tratamento é cirúrgico:👉 o cristalino opaco é removido e👉 uma lente intraocular artificial é implantada no lugar.
Essa lente passa a exercer o papel do cristalino pelo resto da vida.
Por que a escolha da lente intraocular é definitiva?
Esse é um ponto fundamental. Na grande maioria dos casos, a lente intraocular não deve ser trocada depois da cirurgia.
Embora tecnicamente seja possível remover uma lente em situações muito específicas, isso:
exige uma nova cirurgia,
é mais complexa,
envolve mais riscos,
e limita bastante os tipos de lentes que podem ser colocadas depois.
Por isso, não dá para encarar a escolha da lente como algo “testável”. É uma decisão que precisa ser bem pensada desde o início.
Cirurgia de catarata e cirurgia faco-refrativa: qual a diferença?
Além da cirurgia tradicional da catarata, hoje existe também a chamada cirurgia faco-refrativa.
Ela é indicada principalmente para:
pessoas acima dos 55 anos,
com graus altos (miopia ou hipermetropia),
que às vezes nem têm catarata significativa.
Nesse caso, o cristalino é removido não por estar opaco, mas para permitir a correção do grau com uma lente intraocular.Em ambos os cenários, a escolha da lente é igualmente importante.
Não existe mais “lente boa ou ruim”: existe lente certa para cada pessoa
Antigamente, falava-se muito em lente nacional ou importada. Hoje, isso não faz mais sentido isoladamente.
A escolha da lente depende de:
estilo de vida do paciente,
atividades profissionais,
expectativas visuais,
características da córnea,
condições da retina,
presença de outras doenças oculares,
e também da experiência do cirurgião.
Além disso, o cálculo da lente envolve matemática e biologia. Nenhuma fórmula é 100% perfeita, e sempre existe uma pequena margem de erro aceitável.
Tipos de lentes intraoculares: conheça as diferenças
Lentes esféricas
São as mais simples e geralmente fornecidas por convênios.
Corrigem a catarata
Não corrigem aberrações ópticas
Geralmente exigem óculos depois da cirurgia
Lentes asféricas
Um passo à frente em qualidade visual.
Corrigem aberração esférica
Melhor contraste
Boa visão para longe
Ainda costumam exigir óculos para perto
Lentes monofocais plus
Uma das mais recentes a chegarem ao Brasil.
Boa visão para longe
Melhora parcial da visão intermediária
Um pouco mais de conforto para perto
Lentes de foco estendido
Tecnologia avançada.
Excelente visão para longe
Boa visão intermediária (computador, celular)
Menos divisão da luz
Menos efeitos adversos noturnos
Boa opção para quem dirige à noite
Lentes bifocais e trifocais
Prometem independência maior dos óculos.
Visão para longe, intermediário e perto
Dividem mais a luz
Podem causar halos noturnos em algumas pessoas
Não são ideais para todos os olhos
E a retina? Um ponto decisivo na escolha da lente
Pacientes com doenças de retina, como degeneração macular, já apresentam limitação visual.Nesses casos:
lentes trifocais geralmente não são a melhor opção,
pois dividem demais a luz,
e podem comprometer ainda mais a qualidade da visão.
Já lentes:
monofocais,
monofocais plus,
ou de foco estendido
costumam ser mais seguras e previsíveis nesses pacientes.
Lentes tóricas: corrigindo o astigmatismo
O que é uma lente tórica?
É uma lente que, além de corrigir miopia, hipermetropia e presbiopia, corrige ou reduz significativamente o astigmatismo.
Hoje, existem:
lentes asféricas tóricas,
monofocais plus tóricas,
foco estendido tóricas,
e até trifocais tóricas.
Astigmatismos acima de 0,75 grau já podem fazer o paciente depender muito de óculos.Por isso, as lentes tóricas se tornaram uma das opções mais utilizadas atualmente.
A decisão final: o que realmente importa?
Antes de escolher sua lente intraocular, você precisa responder:
O que eu mais valorizo: longe, perto ou equilíbrio?
Dirijo muito à noite?
Tenho doenças na retina ou na córnea?
Quero reduzir o uso de óculos ou aceito usá-los?
E, acima de tudo:👉 confiar na avaliação do seu oftalmologista, que conhece seu olho em detalhes.
A importância da lente intraocular:
A lente intraocular não é um detalhe da cirurgia de catarata — ela é o coração do procedimento.Escolher bem significa:
melhor qualidade visual,
mais conforto no dia a dia,
menos arrependimentos no futuro.
Informação, diálogo e uma avaliação individualizada são o caminho para o melhor resultado possível.
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Autor:
DR. Mário César Bulla
Cremers 28.120
Médico Oftalmologista - Cirurgião
RQE 18.706