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Complicações da cirurgia de catarata: o que fazer?

Complicações da cirurgia de catarata: o que fazer?
Quais as complicações da cirurgia de catarata?

Complicações na Cirurgia de Catarata: O Que Fazer e Como Prevenir

A cirurgia de catarata é um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados no mundo. Com o avanço da tecnologia e das técnicas cirúrgicas, tornou-se uma intervenção segura e altamente eficaz para recuperar a visão de milhões de pessoas. No entanto, como toda cirurgia, existem riscos e possíveis complicações. Este artigo foi elaborado para explicar, de forma detalhada, quais são essas complicações, como elas podem ser prevenidas, quais os tratamentos disponíveis e o que o paciente deve fazer caso algo inesperado aconteça durante ou após a cirurgia.


A Segurança da Cirurgia de Catarata Hoje

Antes de abordar as complicações, é importante ressaltar que a cirurgia de catarata é considerada um dos procedimentos mais seguros da medicina moderna. Graças à evolução das técnicas cirúrgicas e dos equipamentos, a taxa de sucesso ultrapassa 90%. Isso significa que, para a grande maioria dos pacientes, a cirurgia proporciona uma melhora significativa da visão, permitindo o retorno às atividades cotidianas com mais qualidade de vida.

No entanto, cada paciente é único, e cada olho tem suas particularidades. Por isso, é fundamental entender que nem todos respondem da mesma forma ao procedimento. Em alguns casos, a presença de outras doenças oculares pode limitar a recuperação visual, mesmo quando a cirurgia ocorre sem intercorrências.


Quando a Cirurgia de Catarata Complica?

Apesar de rara, a ocorrência de complicações durante a cirurgia de catarata é possível. Elas podem surgir devido a características específicas do olho do paciente, como fragilidade das estruturas internas, presença de catarata traumática ou doenças associadas, como a pseudoesfoliação. Em algumas situações, o planejamento cirúrgico precisa ser adaptado durante o procedimento para garantir o melhor resultado possível.


Principais Complicações Intraoperatórias

Durante a cirurgia, algumas complicações podem ocorrer, exigindo habilidade e experiência do cirurgião para contorná-las. Entre as principais, destacam-se:

  • Fraqueza da zônula (estrutura que mantém o cristalino no lugar), comum em casos de trauma ocular ou pseudoesfoliação;

  • Ruptura da cápsula posterior, que é o saco que envolve o cristalino;

  • Deslocamento de fragmentos da catarata para a parte posterior do olho;

  • Dificuldade ou impossibilidade de implantar a lente intraocular no local ideal.

Essas situações podem demandar o uso de técnicas e instrumentos especiais, como anéis de expansão capsular, suturas de suporte ou até mesmo a realização de uma vitrectomia, que é a remoção do gel vítreo do olho para facilitar a retirada de fragmentos ou o implante da lente.


Ruptura da Cápsula Posterior: O Que Significa?

A ruptura da cápsula posterior é uma das complicações mais temidas durante a cirurgia de catarata. Ela ocorre quando o saco capsular que envolve o cristalino se rompe, geralmente devido à fragilidade do tecido ou a uma dificuldade técnica durante o procedimento. Quando isso acontece, parte do gel vítreo pode migrar para a frente do olho, dificultando a finalização da cirurgia e o implante da lente intraocular.

Dependendo da extensão da ruptura, pode ser necessário realizar uma vitrectomia anterior para remover o vítreo que avançou e garantir a estabilidade ocular. Em alguns casos, fragmentos da catarata podem cair para o fundo do olho, exigindo uma abordagem ainda mais especializada.


Implante da Lente Intraocular em Situações Especiais

O local ideal para implantar a lente intraocular é dentro do saco capsular. Entretanto, quando há ruptura da cápsula, pode ser necessário adaptar a técnica. A lente pode ser colocada na frente do saco (no sulco ciliar) ou, em situações mais complexas, fixada na esclera (parte branca do olho) ou na íris (parte colorida). Esses procedimentos exigem maior experiência do cirurgião e, às vezes, o uso de lentes específicas.

É importante ressaltar que nem todos os oftalmologistas estão habilitados a realizar implantes de lentes secundárias ou técnicas avançadas de fixação. Por isso, em casos de complicações, pode ser necessário encaminhar o paciente para um especialista em cirurgia de segmento posterior ou em implantes complexos.


Limitações na Escolha da Lente Intraocular

Quando ocorre uma complicação como a ruptura da cápsula posterior, pode não ser possível implantar lentes intraoculares sofisticadas, como as lentes trifocais ou tóricas, que corrigem astigmatismo ou proporcionam visão para múltiplas distâncias. Nestes casos, o cirurgião pode precisar optar por lentes monofocais, que oferecem boa visão para uma única distância, mas podem exigir o uso de óculos para leitura ou visão de longe, dependendo da escolha.

Essa mudança de plano pode ser frustrante para o paciente, principalmente se havia expectativa de independência dos óculos. Por isso, a comunicação clara entre médico e paciente é fundamental, tanto no pré-operatório quanto no pós-operatório.


Vitrectomia: Quando é Necessária?

A vitrectomia é um procedimento realizado para remover o gel vítreo do interior do olho. Ela pode ser necessária quando fragmentos da catarata caem para a parte posterior do olho ou quando há entrada de vítreo na câmara anterior devido à ruptura da cápsula. O objetivo é limpar o interior do olho, evitar inflamações e garantir as melhores condições para a recuperação visual.

A necessidade de vitrectomia é rara, ocorrendo em menos de 1,5% das cirurgias de catarata, segundo estudos científicos. Mesmo assim, é importante que o paciente saiba que essa possibilidade existe e que, quando realizada por profissionais experientes, oferece bons resultados.


Endoftalmite: A Complicação Mais Temida

A endoftalmite é uma infecção grave dentro do olho, considerada a complicação mais temida da cirurgia de catarata. Ela pode ocorrer quando bactérias penetram no olho durante ou após a cirurgia, seja por contaminação do ambiente, dos instrumentos ou por descuido nos cuidados pós-operatórios. Os sintomas incluem piora súbita da visão, olho vermelho, dor intensa, inchaço e, em alguns casos, percepção de manchas escuras (moscas volantes).

Apesar de ser rara (menos de 1 caso a cada 1000 cirurgias), a endoftalmite pode comprometer gravemente a visão, exigindo tratamento imediato com antibióticos intraoculares e, em alguns casos, cirurgia de emergência. A prevenção é feita com rigorosos protocolos de assepsia, uso correto de colírios antibióticos e orientações detalhadas ao paciente sobre higiene e repouso.


Fatores que Podem Limitar a Melhora da Visão

Nem toda dificuldade de recuperação visual após a cirurgia de catarata está relacionada a complicações do procedimento. Muitas vezes, o paciente possui outras doenças oculares, como degeneração macular, retinopatia diabética ou glaucoma, que limitam a melhora da visão. Por isso, é fundamental realizar uma avaliação completa antes da cirurgia e alinhar as expectativas quanto ao resultado final.

O oftalmologista deve explicar ao paciente que, mesmo com a retirada da catarata, outras condições podem impedir a visão perfeita. O acompanhamento regular e o tratamento dessas doenças são essenciais para preservar a saúde ocular a longo prazo.


O Que Fazer se Surgirem Sintomas Após a Cirurgia?

Após a cirurgia de catarata, o paciente deve ficar atento a qualquer sinal de alerta, como dor intensa, vermelhidão, inchaço, piora repentina da visão ou aparecimento de manchas móveis na visão. Esses sintomas podem indicar complicações graves, como endoftalmite ou deslocamento de fragmentos, e exigem avaliação médica imediata.

  • Nunca automedique-se ou ignore sintomas;

  • Comunique imediatamente sua equipe médica;

  • Siga rigorosamente as orientações pós-operatórias, incluindo o uso correto dos colírios;

  • Evite coçar os olhos ou expô-los a ambientes contaminados nos primeiros dias após a cirurgia.


Como Prevenir Complicações na Cirurgia de Catarata?

A prevenção das complicações começa muito antes do dia da cirurgia. Escolher um cirurgião experiente, realizar todos os exames pré-operatórios e seguir as orientações médicas são passos fundamentais. Além disso, manter uma boa higiene ocular, evitar esforços físicos excessivos e comparecer às consultas de acompanhamento são atitudes que reduzem significativamente os riscos.

O uso correto dos colírios prescritos, principalmente os antibióticos e anti-inflamatórios, é indispensável para evitar infecções e inflamações. O repouso relativo nos primeiros dias e o cuidado ao evitar traumas ou contato com água contaminada também são medidas importantes.


A Importância da Confiança na Equipe Médica

Ter confiança na equipe médica é fundamental para o sucesso da cirurgia de catarata. O paciente deve sentir-se à vontade para tirar dúvidas, relatar sintomas e discutir suas expectativas. O diálogo aberto permite que o médico explique os riscos, as alternativas de lentes intraoculares e os cuidados necessários para cada caso.

Lembre-se: a cirurgia de catarata é segura, mas, como qualquer procedimento, exige responsabilidade e comprometimento de ambas as partes para garantir os melhores resultados.


Resumo: O Que Você Precisa Saber

Para finalizar, é importante reforçar os principais pontos sobre complicações na cirurgia de catarata:

  • A cirurgia de catarata é segura e eficaz, com taxa de sucesso superior a 90%;

  • Complicações são raras, mas podem acontecer, exigindo preparo e experiência do cirurgião;

  • As principais complicações incluem ruptura da cápsula, deslocamento de fragmentos e infecção ocular (endoftalmite);

  • O paciente deve seguir todas as orientações médicas para prevenir problemas;

  • Qualquer sintoma diferente após a cirurgia deve ser comunicado imediatamente ao oftalmologista.

Com informação de qualidade, diálogo aberto e cuidados adequados, você estará preparado para enfrentar a cirurgia de catarata com segurança e tranquilidade. Compartilhe este artigo com quem vai passar pelo procedimento e ajude a promover a saúde ocular!


Autor:

Dr. Mário César Bulla

Cremers 28.120

Médico Oftalmologista - Cirurgião de Retina

RQE 18.706

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©2025 por Dr. Mário Bulla - Cremers 28.120 - Especialista em Retina.

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