Chip de retina foi aprovado!!

Chip de retina: o que a novidade significa para quem tem degeneração macular
Pergunta original: O chip de retina foi aprovado para tratar a degeneração macular relacionada à idade?
O Dr. Mário Bulla, médico oftalmologista e especialista em retina, explica que o chip foi estudado para um grupo muito específico: pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI) seca avançada, com atrofia geográfica. No vídeo, é relatada sua liberação comercial na Europa em julho de 2026. Isso não significa, porém, que o implante seja indicado para toda pessoa com DMRI, esteja disponível de forma ampla ou devolva a visão normal.
Para quem esse chip foi estudado?
A DMRI compromete a mácula, região central da retina que permite enxergar detalhes, ler e reconhecer rostos. Na forma seca avançada, pode surgir a atrofia geográfica: uma perda progressiva de células da retina que provoca áreas borradas ou escuras na visão central. A visão lateral costuma permanecer, mas tarefas de precisão podem ficar muito difíceis.
Portanto, este não é um tratamento para qualquer mancha na visão, para todos os estágios da DMRI ou para a forma úmida da doença. Distorção de linhas retas, piora súbita do embaçamento ou uma nova mancha central exigem avaliação oftalmológica sem demora, porque podem indicar alterações que precisam de outro tipo de tratamento.
Como o sistema funciona?
O implante é colocado abaixo da retina, na região da mácula. Para isso, é necessária uma cirurgia de retina, que inclui vitrectomia — remoção do vítreo, o gel interno do olho — e a criação de uma abertura muito delicada para posicionar o dispositivo sob a retina.
Depois da cirurgia, a pessoa utiliza óculos especiais com uma câmera. A imagem captada é transformada e enviada ao implante por luz infravermelha. O chip estimula as células retinianas que ainda podem responder, produzindo uma percepção visual artificial.
Uma comparação útil é pensar nos videogames e computadores antigos: a imagem é formada por pequenos pontos, como em uma grade. Assim, o objetivo não é recriar uma visão natural, com nitidez e cores normais, mas permitir alguma percepção de formas e contrastes na área central que antes era percebida como uma mancha escura.
O que o estudo mostrou — e o que ele não mostrou
No estudo clínico do sistema PRIMA, 38 participantes receberam o implante e 32 completaram a avaliação de 12 meses. Entre esses 32 participantes, 26 apresentaram melhora visual considerada clinicamente relevante. Alguns conseguiram voltar a identificar letras e ler, mas os resultados não correspondem a recuperação de visão normal. [3]
Também é importante olhar para a segurança com realismo. O estudo registrou eventos adversos graves relacionados ao procedimento ou ao dispositivo, principalmente nos primeiros dois meses após a cirurgia; a maior parte deles se resolveu em até dois meses depois de começar. Esse acompanhamento foi feito em contexto de pesquisa, com critérios definidos e equipes experientes.
Por que a indicação precisa ser individualizada?
Trata-se de uma tecnologia nova, complexa e associada a uma cirurgia intraocular sofisticada. Antes de pensar em um implante, é necessário confirmar o diagnóstico, o tipo e o estágio da doença, avaliar a condição da retina e discutir expectativas possíveis. A indicação depende de critérios clínicos e da disponibilidade em centros habilitados.
A cirurgia de retina pode envolver diferentes etapas e cuidados conforme o problema tratado. Por isso, não deve ser entendida como um procedimento simples ou como uma solução automática para perda visual.
Para pessoas com DMRI, o acompanhamento continua essencial mesmo diante de novas tecnologias. Há tratamentos que podem desacelerar a atrofia geográfica em casos selecionados, enquanto a forma úmida costuma exigir abordagens diferentes, como medicamentos intraoculares. Recursos de baixa visão e reabilitação visual também podem ajudar a manter a autonomia no dia a dia.
Fontes e referências
Chip de Retina: Esperança para a Degeneração Macular e Novos Avanços em Oftalmologia — Especialista em Retina.
Cirurgia de retina: como funciona e em quais situações é indicada — Exame Ocular.
Subretinal Photovoltaic Implant to Restore Vision in Geographic Atrophy Due to AMD — PubMed / New England Journal of Medicine.
Age-Related Macular Degeneration (AMD) — National Eye Institute.
What is age-related macular degeneration? — American Academy of Ophthalmology.
Conteúdo baseado na explicação em vídeo do Dr. Mário Bulla; CREMERS 28.120; médico oftalmologista e retinólogo; RQE 18.706